Votação Equipamentos de votação foram projetados com diversas camadas de proteção e sem conexão com internet
Claudinei Plaza/DGABC

Com a proximidade das eleições, questionamentos sobre a segurança, violabilidade e manipulação das urnas eletrônicas voltam a ser debatidos. As discussões geram nebulosidade sobre a transparência do processo eleitoral brasileiro. Para especialistas em tecnologia e computação, as máquinas de votação são confiáveis e seguras, mas, tecnicamente, não se pode afirmar que são invioláveis.
“Ao se falar de cibersegurança, não existe segurança absoluta e nenhum sistema operacional deve ser descrito como 100% seguro”, afirmou Rodrigo Galuzzi Garcia Piva, professor-doutor nas áreas de tecnologia, inteligência artificial, computação e transformação digital da Umesp (Universidade Metodista do Estado de São Paulo).
Porém, o sistema de votação digital brasileiro, utilizado pela primeira vez há 30 anos, tem evoluído, e os especialistas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desenvolvem novas ferramentas de proteção do programa operacional.
“A urna eletrônica foi projetada com diversas camadas de proteção. Todo o sistema é auditável e passa por fiscalização externa e por testes públicos. No ciclo mais recente, os achados de testes de urna não comprometeram de nenhuma forma a integridade do sigilo do voto e nem do resultado da eleição”, explicou o especialista.
Na avaliação do professor Piva, a palavra “inviolável”, ao se tratar de sistemas eletrônicos, deve ser abolida. Por menor que seja a probabilidade de violação dos programas ou das barreiras de segurança, há um risco mínimo. “As urnas são resistentes a fraudes. O principal benefício é que as máquinas não operam em rede ou conectadas à internet, e isso reduz de forma muito drástica os ataques remotos”, pontuou.
Tecnicamente, qualquer sistema digital pode ser alvo de uma tentativa de adulteração da parte lógica, assegura o especialista. “No caso do sistema de urna brasileiro, isso exigiria um comprometimento prévio e sofisticado de toda a cadeia do programa, que tem uma série de mecanismos mitigatórios e de controle, o que permite dizer que o sistema é confiável”, afirmou.
Entre a série de recursos de proteção, o professor exemplifica que qualquer fraude teria de ser realizada antes da lacração das urnas. Os discos rígidos que armazenam as informações eleitorais são de gravação única; portanto, não há como salvar qualquer programa adulterador sem trocar a mídia. Outro ponto destacado é que todos os votos computados são confrontados de forma automática e geram o BU (Boletim de Urna), com a quantidade de votos recebidos por cada candidato em cada equipamento.
O ponto mais sensível seria o da transmissão de dados dos locais de apuração para os computadores do TSE, uma vez que há conectividade com a rede externa.
“A transmissão é um ponto que merece análise de segurança, porém os dados não trafegam de forma desprotegida. Há mecanismos que eliminam ataques e tentativas de adulterações”, explicou o professor da Universidade Metodista. MASCOTE O Tribunal Superior Eleitoral celebrou, no início deste mês, os 30 anos da urna eletrônica com o lançamento da mascote Pilili, nome em alusão ao som emitido pela urna no momento da confirmação do voto. Criada em uma agência em Santo André, a Octopus, para aproximar a Justiça Eleitoral da população, Pilili objetiva “representar, de forma lúdica e acessível, a importância do voto e da participação cidadã”, de acordo com o TSE.
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