Política Titulo Fim da escala 6x1

Marinho diz que 5x2 é ‘estágio’ e governo almeja 36h semanais

Ministro do Trabalho e Emprego fez a declaração ontem, durante o lançamento da pré-candidatura de Moisés Selerges à Câmara Federal

31/05/2026 | 08:47
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Wilson Guardia/DGABC
Wilson Guardia/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), disse ontem, durante agenda política em São Bernardo, que o governo federal vai tentar implementar “no futuro” a jornada semanal de 36 horas trabalhadas no Brasil. A declaração ocorre três dias depois de a Câmara aprovar a redução das atuais 44 para 40.

“A vitória dessa semana é um estágio. Mas a luta não vai parar. Teremos que renovar as nossas esperanças para pensar nas 36 horas semanais no futuro, espero que bem breve”, discursou Marinho em visita na manhã de ontem à sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, ocasião em que ocorreu o lançamento da pré-candidatura de Moisés Selerges (PT), presidente da entidade, a deputado federal.

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Marinho fez a declaração na esteira da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), quarta-feira (27) na Câmara Federal. No primeiro turno, o texto que cria a escala 5x2 foi aprovado por 472 a 22 votos – precisava de pelo menos 308 para passar. Na segunda rodada, 461 deputados foram favoráveis e 19 contrários. O texto agora segue para o Senado.

Também presente ao ato, Guilherme Boulos (Psol), ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, endossou a fala do colega, citando experiências mundiais exitosas. “A construção de reduzir a jornada de trabalho é o anseio legítimo da classe trabalhadora quando você tem aumento de produtividade. Se todas as áreas ganharem produtividade, e essa é a tendência com a inteligência artificial, o mundo vai precisar de menos tempo para produzir igual ou ainda mais. Há países que adotam o 4x3. A França, um dos dez mais ricos, tem 35 horas semanais. Essa é a tendência e acontecerá no Brasil.”

‘INIMIGOS DO POVO’

Mil e quinhentas pessoas, segundo a organização compareceram ao lançamento da pré-candidatura de Moisés Selerges a deputado federal.

Com domicílio eleitoral em São Bernardo, o sindicalista, que deixará o cargo de líder dos metalúrgicos do Grande ABC em julho, é uma das principais apostas do PT paulista para ampliar seus quadros em Brasília. Durante discurso, Selerges chamou parte dos congressistas de “inimigos do povo” e defendeu a formação de “bancada de trabalhadores”.

“O Parlamento, que deveria ser a casa do povo, sempre foi a sala de um minoria. O Brasil tem 103 milhões de pessoas que vivem da sua força de trabalho. Já no Congresso Nacional, mais de 70% dos parlamentares são empresários e fazendeiros. Se somos a maioria, por que não estamos dentro do Congresso?”, questionou Selerges.

O sindicalista admitiu que existem bons deputados em Brasília, mas apontou a necessidade de haver mais. “Temos companheiros valorosos na Câmara, que lutam, mas a gente vê a dificuldade. Por que não tem uma bancada de trabalhadores? Quem produz a riqueza somos nós, que acordamos de madrugada, pegamos ônibus lotado e muitas vezes somos mal-tratados”, disse. “Vamos tirar os inimigos do povo de lá e eleger gente comprometida”, propôs.

Aproveitando a plateia, formada em grande parte por metalúrgicos, Selerges destacou sua trajetória na entidade, fundada em 1959 e já comandada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Foi aqui minha faculdade, onde aprendi o que é mais-valia. Foi aqui no Sindicato que aprendi o porquê de existirem rico e pobre e a combater as injustiças.”

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