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Grande ABC tem redução de 21,5% em roubos no primeiro quadrimestre

Demais indicadores criminais, como furtos, homicídios e estupros, também apresentam queda; feminicídios ficam estáveis

31/05/2026 | 09:54
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de roubos no Grande ABC caiu 21,5% no primeiro quadrimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, passando de 4.651 para 3.647 ocorrências, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Os registros de furtos também apresentaram redução, de 8.698 para 7.993 casos, queda de 8,1%. Os indicadores incluem ocorrências de roubo e furto de carga e a banco.

Os roubos de veículos recuaram de 978 para 575 casos, redução de 41,2%, já os furtos passaram de 3.174 para 2.425 registros, queda de 23,6%. Os casos de estupro, incluindo notificações de violência sexual contra vulneráveis, diminuíram de 227 para 205 ocorrências, retração de 9,7%. Os homicídios caíram de 44 para 39 casos, redução de 11,3% nos primeiros quatro meses do ano. Os feminicídios, por sua vez, permaneceram estáveis, com seis registros em cada período.

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O coordenador do Observatório de Segurança Pública da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), David Pimentel de Siena, ressalta que os resultados não podem ser atribuídos a uma única causa, mas ao conjunto de fatores que atuam simultaneamente.

“Entre os elementos que podem contribuir para esse cenário estão as mudanças nos padrões de circulação urbana, o maior uso de meios eletrônicos de pagamento, a expansão das tecnologias de monitoramento, a integração mais eficiente das bases de dados e a atuação orientada por inteligência policial. Em alguns contextos, também ocorre o deslocamento das oportunidades criminosas para modalidades menos visíveis ou menos dependentes do contato direto com a vítima”, afirma Siena.

Segundo o especialista, a oportunidade é um elemento central nos crimes patrimoniais. Por isso, quando há mais câmeras, maior circulação de informações e mais recursos de rastreamento de veículos, celulares, transações financeiras e deslocamentos, parte dessas oportunidades é reduzida.

“Isso não significa que a criminalidade desapareceu, mas que determinadas formas tradicionais de subtração patrimonial podem ter perdido atratividade ou se tornado mais arriscadas”, explica.

A integração entre os municípios é particularmente relevante no Grande ABC, destaca o coordenador do Observatório de Segurança Pública da USCS, já que a criminalidade não respeita fronteiras administrativas.

“Um roubo cometido em uma cidade pode envolver um veículo furtado em outra, receptação em um terceiro município e fuga por corredores viários regionais. Quando guardas municipais, polícias, centros de operações e sistemas de inteligência compartilham informações de forma organizada, a resposta deixa de ser fragmentada. Isso amplia a capacidade de prevenção e de repressão qualificada.”

MUDANÇAS

As transformações econômicas e tecnológicas também alteraram o mercado criminoso. Há alguns anos, o roubo de celulares, veículos e cargas estava fortemente associado à revenda, à receptação e ao desmanche. Atualmente, com bloqueios remotos, rastreamento, sistemas antifraude e maior controle sobre determinados bens, algumas dessas práticas continuam existindo, mas podem oferecer menor retorno financeiro ou maior risco aos criminosos.

David Pimentel de Siena ressalta ainda que pode estar ocorrendo uma migração para outras modalidades criminosas, como estelionatos digitais, fraudes bancárias, golpes por aplicativos, crimes de engenharia social, receptação sofisticada, lavagem de dinheiro e delitos praticados em ambiente virtual.

“Esse é um ponto decisivo. A criminalidade patrimonial não desaparece necessariamente quando um indicador cai. Muitas vezes ela se reorganiza. A lógica do ganho ilícito permanece, mas o método muda. Se roubar um celular na rua se torna mais arriscado, pode ser mais vantajoso aplicar golpes por mensagem, invadir contas, fraudar meios de pagamento ou explorar vulnerabilidades digitais. A violência física diminui, mas o prejuízo patrimonial continua, agora em um ambiente menos visível e com maior dificuldade investigativa”, aponta.

ESTADO

No Estado de São Paulo, o número de homicídios dolosos caiu de 864 para 842 casos, redução de 2,5%. As notificações de roubo em geral diminuíram 18%, passando de 59.202 para 48.550 ocorrências no primeiro quadrimestre do ano. Já os furtos recuaram de 187.491 para 176.675 registros, queda de 5,7%.

Nas ocorrências envolvendo veículos, os roubos diminuíram de 9.005 para 5.883 casos, retração de 34,7%, enquanto os furtos passaram de 29.874 para 26.540 registros, redução de 11,1%). 

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