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Em Santo André, trocas de figurinhas da Copa do Mundo mudam rotina de estudantes

Crianças do Colégio Arbos se reúnem para colecionar e esquentar clima pelo torneio mais cobiçado do futebol

Ryan Leme
Especial para o Diário
31/05/2026 | 10:07
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O sinal do intervalo toca e o pátio vira um estádio de negociações. “Tenho repetidas!”, “Troca comigo?”, “Falta só uma para completar!”. No Colégio Arbos, em Santo André, a febre do álbum da Copa do Mundo 2026 já tomou conta das crianças.

Com páginas de seleções preenchidas aos poucos, os alunos compartilham amizade e expectativas para o Mundial que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá a partir de 11 de junho.

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Com 48 países e 980 cromos, o álbum desta edição é o maior da história das Copas, e os estudantes estão encarando o desafio com dedicação. Alguns já colecionavam em edições anteriores, enquanto outros entraram na brincadeira agora.

“Eu gosto muito porque a gente conhece mais pessoas trocando repetidas. Eu já fiz amigos até fora da escola por causa das figurinhas”, contou Gabriel Grenzi, 10 anos. A colega Olívia Macedo, 10, também vê as trocas como uma forma de aproximação. “A gente vai criando laços, todo mundo se ajuda. Às vezes começa um grupinho pequeno e vai entrando mais gente tentando completar o álbum junto.”

As trocas acontecem principalmente nos intervalos, mas continuam também na saída da escola e, nos fins de semana, os alunos vão a pontos de troca espalhados pela região. Maria Luísa Vimieiro, 10, contou que costuma ir ao shopping para participar das rodinhas de troca. “Já troquei com gente mais velha, com a idade dos meus pais, mas também sempre tem outras crianças. Cada um se preocupa com seu álbum.”

Além das figurinhas comuns, as especiais, chamadas de “Legends”, viraram as mais desejadas entre os estudantes. Mbappé (França), Messi (Argentina), Cristiano Ronaldo (Portugal) e Vinicius Júnior (Brasil) aparecem entre os cromos mais procurados. João Pedro Lunardi, 10, comemorou a sorte que teve nos pacotinhos. “Este ano eu tirei o Mbappé de prata. Todas são muito legais, mas essas figurinhas extras são especiais”, comentou.

Mesmo com a enorme empolgação pelo álbum, as crianças também acompanham a expectativa para a Copa do Mundo. E, apesar da torcida pelo Brasil, muitas não escondem a preocupação com a Seleção.

“Como brasileira, eu vou torcer para o Brasil ganhar, minha família vai se reunir. Mas a gente também fica um pouco insegura, não confio nesse time”, disse Marina D’Avila, 10. João Pedro foi além na análise. “Tem jogadores muito bons, mas às vezes parece que falta vontade. Outros já são velhos demais para uma Copa. Mesmo assim, a gente tem que continuar sonhando.”

Entre as apostas dos pequenos, as seleções da Espanha, França e Portugal são as favoritas para faturar o troféu mais importante do futebol, mas até mesmo o modesto Paraguai entra na conversa. “Eles têm o Gustavo Gómez e o (Ángel) Romero. Se não forem campeões, pelo menos vão chegar longe”, disse a pequena palmeirense Marina, que confia no zagueiro e capitão do Verdão, além do atacante e ex-jogador do rival Corinthians.

Sonhar faz parte da brincadeira e, enquanto a bola ainda não rola oficialmente nos gramados da Copa de 2026, nas escolas do Grande ABC o clima do maior torneio de futebol do mundo já tomou conta.

Atividades têm regras e ajudam na convivência, segundo colégio

A movimentação em torno das figurinhas exigiu organização do colégio. Para garantir que a brincadeira aconteça de forma saudável, a escola criou algumas regras sobre quando e como as trocas podem ser feitas.

Segundo as orientadoras educacionais Rejane Ricciardi e Fabíola Valente, os alunos foram instruídos sobre o que é permitido. As trocas acontecem apenas nos horários de entrada, saída e intervalo. Dentro das salas de aula, os álbuns ficam guardados.

“Passamos todas as regras aos alunos, e eles têm ciência do que podem e do que não podem fazer. Procuramos separar também os ciclos, para evitar conflitos entre as crianças maiores e as menores”, explicou Rejane.

Uma das brincadeiras tradicionais envolvendo figurinhas, o “bafo”, acabou ficando de fora das permissões da escola. Segundo as orientadoras, a decisão foi tomada para evitar danos aos cromos e situações injustas entre as crianças.

“O bafo amassa as figurinhas, e as crianças mais velhas, com mãos maiores, acabam levando vantagem sobre as mais novas. Então, deixamos claro que aqui é troca de figurinha, não é jogo”, afirmou Fabíola.

Para além da coleção, as educadoras acreditam que a experiência traz benefícios importantes para o desenvolvimento das crianças. Elas destacam que o momento ajuda na convivência e até no aprendizado sobre frustração e paciência.

“Vai além da troca de figurinha. Eles aprendem a esperar, a negociar e a lidar com a situação quando não conseguem a figurinha que querem. Às vezes, um aluno mais tímido começa a conversar justamente por causa do álbum. Isso é saudável”, destacou Rejane.

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