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Lixo e riqueza

10/06/2026 | 08:46
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os números da coleta seletiva no Grande ABC revelam um cenário que reproduz a realidade nacional. Nem um nem outro sai bem no retrato, é necessário admitir. Embora mais de 12,8 mil toneladas de resíduos recicláveis tenham sido recolhidas nos cinco primeiros meses deste ano nas sete cidades, o volume representa menos de 5% de todo o lixo gerado na região. Em municípios como Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, os índices de recuperação permanecem abaixo de 2%. É pouquíssimo. O quadro evidencia que a maior parte dos materiais com potencial de reutilização continua seguindo para aterros sanitários ou recebendo destinação inadequada.

A performance regional acompanha a nacional. Dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente indicam que o País gerou cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2023, porém somente 8,3% desse total foram encaminhados à reciclagem. Isso significa que mais de 90% dos materiais descartados deixaram de retornar ao ciclo produtivo, mesmo contendo papel, plástico, vidro e metal com valor econômico. Além disso, milhões de toneladas ainda recebem destinação inadequada, ampliando os desafios relacionados à gestão dos resíduos. Com isso, recursos naturais, assim como os financeiros, seguem sendo devastados.

É uma irresponsabilidade homérica. As consequências do baixo reaproveitamento de materiais atingem tanto o meio ambiente quanto a economia. O descarte inadequado contribui para a contaminação do solo e dos recursos hídricos, favorece emissões de gases associados às mudanças climáticas e aumenta os custos públicos com limpeza urbana. Ao mesmo tempo, o País perde matérias-primas que poderiam retornar à indústria, reduzindo gastos com extração de recursos naturais e gerando empregos em cooperativas e empresas do setor. O Grande ABC não pode continuar tratando como lixo o que nações desenvolvidas encaram como riqueza.

DGABC



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