Editorial De cada quatro veículos registrados no Grande ABC, três são carros e um é motocicleta. Quem circula diariamente pelas ruas da região pode ter a percepção de que essa proporção é bem maior. E talvez isso se deva ao fato de ter tantos motociclistas de um lado para outro, a maioria deles a serviço, entregando comida ou documentos e sempre com muita pressa.
E essa correria toda muitas vezes faz com que passem dos limites, com o descumprimento de regras básicas, como andar na contramão, ultrapassar o sinal vermelho, assustar pedestres que estão cruzando as ruas na faixa e até trafegar sobre as calçadas.
É sempre bom ressaltar que ninguém é contra o uso de motos, pelo contrário, elas facilitam o dia a dia e representam o ganha-pão de muitas famílias. As restrições são à má conduta de quem as utiliza de forma inadequada, colocando-se em risco e ainda levando perigo a outras pessoas, sejam pedestres, motoristas ou ciclistas.
Dados levantados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) revelam que o número de motos na região cresceu 42% em dez anos, passando de 191.602, em 2016, para as atuais 271.719. Enquanto a frota de carros das sete cidades permaneceu praticamente a mesma, indo de 908.469 (2016) para 905.241, queda de 0,35% em uma década.
Esse aumento no número de usuários de motos, segundo especialista ouvido na reportagem que baseia a manchete deste Diário, tende a se refletir em problemas no trânsito e elevar as ocorrências que resultam em mortes. Isso fica evidente na comparação com os óbitos envolvendo este tipo de veículo. Nos primeiros seis meses de 2016 foram 37. No mesmo período deste ano, 60.
As motocicletas precisam ter seu espaço nas ruas, avenidas e estradas e seus condutores têm de ser respeitados. Entretanto, cabe a eles também se colocarem em situação de segurança, pilotando com capacete e outros equipamentos de proteção e, fundamentalmente, obedecendo as normas.
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