Entrevista da Semana Evandro é secretário de Desenvolvimento e Geração de Emprego de Santo André
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Evandro Banzato é secretário de Desenvolvimento e Geração de Emprego de Santo André. Chegou à Pasta em 2017 como secretário adjunto, na gestão do então prefeito Paulo Serra, presidente estadual do PSDB. Em 2018, assumiu como titular e deu sequência ao trabalho, agora sob o comando do prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania), coordenando ações que impulsionaram a abertura de empresas e investimentos em indústrias e estabelecimentos. Na entrevista ao Diário, ele celebra todas as conquistas, mas, especialmente, a geração de vagas com carteira assinada: de janeiro a maio foram 4.183, recorde entre as cidades do Grande ABC.
RAIO X
Nome: Evandro Banzato
Aniversário: 3 de março
Onde nasceu: Santo André
Onde mora: Santo André
Formação: Administração pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e pós-graduação em Marketing pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado)
Um lugar: Santo André
Time do coração: São Paulo FC
Alguém que admira: a mulher, Vanessa Agi Teixeira Banzato
Um livro: Os 5 Tipos de Riqueza, de Sahil Bloom
Uma música: Cat’s in The Cradle, de Harry Chapin
Um filme: Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995), de David Fincher
Santo André liderou a geração de empregos no Grande ABC tanto no mês de maio quanto no acumulado do ano. A que o sr. atribui esse desempenho?
Estou à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico desde 2017, e esse período permitiu estruturar um planejamento de curto, médio e longo prazos. Esse conjunto de ações explica os resultados alcançados pela cidade. Destaco a proximidade com os empreendedores, os investimentos em qualificação profissional, a melhoria da infraestrutura e as iniciativas de simplificação e desburocratização, em parceria com os governos estadual e federal, além da ampliação do acesso ao crédito. Também inauguramos o Parque Tecnológico, fortalecemos o Feirão de Inclusão Produtiva e Emprego e contamos com a Sala do Empreendedor e a Casa do Trabalhador, que realizam cerca de 20 mil atendimentos por ano. Esse conjunto de iniciativas tem contribuído para a geração de empregos.
O setor de serviços continua sendo o principal responsável pelas novas vagas. Existe alguma estratégia para fortalecer também a indústria, que historicamente sempre teve peso na economia andreense?
Santo André tem uma característica rara: mantém uma indústria forte, responsável por pouco mais de 27% do PIB (Produto Interno Bruto), ao mesmo tempo em que o comércio e os serviços continuam em expansão. A estratégia é fortalecer toda a cadeia produtiva, do microempreendedor às grandes indústrias. Entre os principais ativos estão a Recap (Refinaria de Capuava) e o Polo Petroquímico, que, juntos, movimentam cerca de R$ 25 bilhões por ano, além dos setores da borracha e têxtil. Recentemente, a indústria têxtil anunciou R$ 120 milhões em investimentos, enquanto a Recap confirmou um aporte de R$ 1,5 bilhão. Outro dado que vale o destaque, é que, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), as indústrias de Santo André triplicaram o volume de recursos captados para aquisição de equipamentos e inovação, demonstrando confiança no potencial de crescimento da cidade.
O Parque Tecnológico formalizou parcerias com a FSA (Fundação Santo André) e a UFABC (Universidade Federal do ABC). Quais metodologias da indústria 4.0 foram aplicadas com a colaboração?
Hoje o Parque Tecnológico reúne 14 universidades parceiras. Entre os principais projetos estão o Laboratório de Inteligência Artificial, em parceria com a UFABC; o Laboratório de Iot (Internet das Coisas, em português) e Conectividade, com a FSA; e o Laboratório de Manufatura Avançada e Preditiva. Esses laboratórios desenvolvem soluções voltadas à Indústria 4.0, conectando dados gerados por dispositivos de IoT, inteligência artificial e processos industriais para integrar pessoas, máquinas, robôs e automação, tornando as empresas mais competitivas. Um exemplo é a General Motors, em São Caetano, onde nove dos desafios de inovação abertos da empresa no Brasil, cinco são discutidos em parceria com universidades e empresas dentro do Parque Tecnológico de Santo André. Também há uma parceria com a Mercedes-Benz, em São Bernardo, para pesquisas sobre baterias e eletrificação de veículos pesados, reunindo universidades, startups da região e poder público em projetos ligados à eletrificação, conversão de empilhadeiras a combustão para elétricas e redução de ruídos industriais. Além disso, programas do governo federal apoiam esses projetos com recursos voltados à inovação.
Como Santo André se prepara para ter grandes centros logísticos operando ao mesmo tempo, como o Mercado Livre, Goodman e Coca-Cola?
O setor logístico faz parte de um planejamento de longo prazo de Santo André, para os próximos 50 anos. Um dos principais exemplos é o galpão de 63 mil metros quadrados da Goodman, inaugurado no ano passado e ocupado pelo Mercado Livre e por uma das distribuidoras da Heineken. No eixo da Avenida dos Estados também há outro centro logístico, com três das quatro fases já totalmente locadas, além da instalação da Femsa Coca-Cola, que escolheu a cidade como um dos quatro polos de distribuição no Estado de São Paulo. Santo André vem se consolidando na logística last mile (última milha, em português), com centros de distribuição próximos aos grandes mercados consumidores. A cidade também abriga o maior porto seco do Estado de São Paulo, da Wilson Sons, o que reforça sua posição estratégica. Além desses empreendimentos, há novos projetos logísticos em estudo para a região da Avenida dos Estados. O desafio agora é acompanhar esse crescimento com planejamento da logística urbana e infraestrutura para atender à expansão do setor.
Como a Prefeitura tem lidado com a proposta dos Estados Unidos de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras? Como está sendo o diálogo com os setores industriais da cidade?
Temos uma compreensão clara de que muitos dos desafios econômicos do País dependem de decisões do âmbito federal. No âmbito local, nosso papel é defender os investimentos e os empregos da indústria química, petroquímica, da borracha e têxtil de Santo André. Temos acompanhado não apenas a questão das tarifas dos Estados Unidos, mas também a entrada de produtos importados, principalmente chineses, que preocupa a indústria andreense e a indústria nacional. O setor de pneus, por exemplo, vem sofrendo forte impacto nas vendas e na produção. É importante que o consumidor tenha opções, mas também é fundamental encontrar um equilíbrio entre a concorrência e a preservação da indústria local e dos empregos. O diálogo com as empresas tem sido permanente. Estivemos com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e com a Secretaria da Fazenda discutindo medidas relacionadas ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para reduzir parte desses impactos. Embora o município não tenha competência para interferir diretamente nesses tributos, podemos atuar na articulação institucional. Foi o que fizemos em Brasília, dialogando com representantes do governo federal para defender os interesses da indústria local. Mantemos diálogo constante com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), a Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e outras entidades. Após as primeiras reuniões com o governo do Estado, as próprias empresas passaram a negociar diretamente com as equipes técnicas. Parte das demandas da indústria da borracha já foram contempladas, embora sejam processos longos e complexos. No caso da indústria têxtil, também houve avanços nas discussões sobre medidas relacionadas aos impactos dos produtos importados na indústria nacional.
O setor gastronômico vive um momento de expansão em Santo André, com novos empreendimentos e festivais como o Sabores da Cidade. Existe um planejamento para consolidar ainda mais a cidade como um polo gastronômico da região?
O setor gastronômico é estratégico para Santo André e faz parte de uma política de fortalecimento do turismo. Hoje, a cidade reúne mais de 7.000 CNPJs (Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica) ligados à gastronomia, o que demonstra a importância desse segmento para a economia. Neste ano realizamos a terceira edição do festival Sabores da Cidade, criado para fortalecer um setor que vem crescendo continuamente. Santo André está entre as 30 cidades do País que mais atraem franquias, e quase metade delas pertence ao segmento de alimentação. O festival busca consolidar esse potencial e fortalecer a cidade como um polo gastronômico da região. Nesta edição, contamos com parcerias com Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Sintragastroh SAR (Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Serviços em Geral de Gastronomia, Alimentos Preparados, Bebidas a Varejo e Meios de Hospedagem de Santo André e Região), Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) e outros parceiros. Também incluímos novidades como cliente oculto, cursos de fotografia para os estabelecimentos, capacitações e a criação do Selo Patrimônio Gastronômico, que reconhece restaurantes e empreendimentos com mais de 20 anos de atuação. Outra iniciativa foi a parceria com o iFood, que destacou os estabelecimentos participantes durante o festival. Apenas entre os restaurantes cadastrados na plataforma, foram registrados mais de 880 mil pedidos em 30 dias. Isso demonstra a importância da gastronomia para a geração de empregos, atração de investimentos e também para atrair visitantes de outras cidades do Grande ABC, que procuram Santo André para aproveitar a oferta gastronômica e momentos de lazer com familiares e amigos.
LEIA MAIS:
Guilherme Souza: ‘Esporte é a porta de entrada para uma formação completa’
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.