Em São Bernardo Mudança evita cobrança para comunidade da região, prevista para começar em 1º de agosto
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Após série de reclamações de moradores do pós-balsa, em São Bernardo, sobre a possibilidade de terem de pagar R$ 20,30 para utilizar a Rodovia dos Imigrantes, o governo do Estado decidiu alterar o local de instalação do pórtico do pedágio eletrônico (free flow). A mudança foi definida na noite desta quarta-feira (15) após interlocução da Prefeitura de São Bernardo com a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos), a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) e a Ecovias Imigrantes, concessionária responsável pelo SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes).
Segundo a Prefeitura, o equipamento, inicialmente instalado no km 29 da Rodovia dos Imigrantes, será reposicionado para um ponto anterior ao acesso da comunidade do pós-balsa, preservando a principal ligação terrestre dos moradores com o restante do município. A expectativa é que o sistema free flow entre em operação em 1º de agosto já com a nova configuração.
Até então, a SPI havia informado apenas que os moradores da região teriam isenção da cobrança, sem detalhar como o benefício seria concedido. Com a mudança do pórtico, a solução adotada elimina o impacto da tarifa para quem utiliza diariamente o acesso à comunidade.
Mesmo com a confirmação da alteração, moradores afirmam que a mobilização foi decisiva para a revisão do projeto. Nos últimos dias, a comunidade realizou protestos em frente ao pórtico instalado no km 29 da Rodovia dos Imigrantes e cobrou uma solução, alegando que a cobrança penalizaria trabalhadores que dependem da rodovia, além da outra única possibilidade de locomoção, que é a Balsa João Basso.
ANTES DA MUDANÇA
Moradores do pós-balsa ouvidos pelo Diário relataram a insatisfação com o adiantamento do pegádio na Imigrantes. Mesmo com a implantação do sistema eletrônico, as antigas cabines seguem em operação no km 32.
“Ninguém chamou a gente, ninguém fez pesquisa de impacto. Para nós, essa mudança só atinge de maneira negativa.” relatou o servidor público Rubens Américo da Silva, 52 anos, morador da região desde 1985.
Segundo ele, muitos moradores utilizam diariamente a saída pela Estrada do Capivari para acessar a Rodovia dos Imigrantes no sentido Capital, como alternativa à travessia da balsa, que frequentemente apresenta filas ou pode ter o funcionamento interrompido. “A gente entra pela Estrada do Capivari e, em cerca de 20 minutos, chega ao Jabaquara. Pela balsa, só a travessia pode levar de 40 minutos a uma hora, sem contar o trânsito”, explicou Silva.
A preocupação era compartilhada pela esteticista Mércia Carvalho Almeida, 46, moradora da Estrada do Rio Acima há três décadas. “Minha reação foi de indignação e preocupação. Esse pedágio vai dificultar o nosso direito de ir e vir, principalmente para quem depende dessa rota todos os dias”, desabafou.
A advogada Aline Sarmento, também criticou a implantação do sistema sem um tratamento diferenciado para os moradores.“É inadmissível que quem depende dessa rota para trabalhar, estudar, buscar atendimento de saúde e acessar serviços essenciais passe a arcar com essa cobrança. Estamos falando de trabalhadores que saem de casa todos os dias para garantir o sustento de suas famílias”, pontuou.
A mobilização ganhou apoio na Câmara de São Bernardo. O vereador Ivan Silva (Podemos) junto ao vereador Léo RR (Podemos) protocolou uma Moção de Repúdio contra a implantação do pedágio eletrônico.
No documento, o parlamentar afirma que os moradores possuem apenas duas alternativas para deixar a região: a Balsa João Basso e a Rodovia dos Imigrantes. Quando a travessia é interrompida por manutenção ou outras ocorrências, a rodovia passa a ser a única opção de deslocamento.
Questionada sobre o serviço de travessia, a Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A), operadora da balsa, afirmou que, em 2026, não houve interrupções extraordinárias da operação da Balsa João Basso por manutenção corretiva.
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