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Sofia sobre MasterChef: ‘Nada justifica o nível de ódio que recebi’

Em entrevista ao Diário, a paulista relembrou sua trajetória, as dificuldades emocionais e os ataques que recebeu nas redes sociais

27/08/2025 | 13:00
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FOTO: Divulgação | Band Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Eliminada no 10º episódio da 12ª temporada do MasterChef Brasil, Sofia Jungmann, 27, viveu uma passagem intensa pelo programa — marcada por momentos de destaque, tensão nos bastidores e uma repercussão negativa que se estendeu para fora da TV. Em entrevista ao Diário, a paulista relembrou sua trajetória, as dificuldades emocionais e os ataques que recebeu nas redes sociais.

Primeiros passos na cozinha

“Acho que minha paixão pela gastronomia começou quando eu era bem pequena, porque a minha mãe sempre cozinhava na minha casa. Ela é mãe que gosta de fazer trabalhos manuais e sempre incentivou isso e me chamava para a cozinha. Lembro de fazer bolo, cupcakes. Então, desde pequena e, aos poucos, eu fui me conhecendo na cozinha sozinha, não só com a minha mãe.”

A virada aconteceu quando decidiu fazer intercâmbio: “Quando eu fiz 18 anos, fui fazer um intercâmbio em Boston, nos Estados Unidos, e passei um ano morando fora. Acho que foi quando eu realmente comecei a cozinhar, porque já não estava em casa, não tinha comida da minha mãe.”

Da comunicação ao reality

Antes da cozinha, Sofia seguiu outro caminho profissional: “Eu sou formada em Relações Públicas, mas na verdade eu nunca atuei na área. Trabalhei no setor de tecnologia desde o meu primeiro ano de faculdade  e fiquei quase 7 anos na mesma empresa. Depois eu passei para o marketing e me encontrei. Já era uma matéria na faculdade que eu gostava e de uns anos para cá, tenho curtido demais.”

“Na verdade, eu não saí do meu emprego para entrar no MasterChef. Eu saí porque eu estava estagnada profissionalmente, não via muito plano de carreira e possibilidades de crescimento. E eu resolvi recalcular a rota e acabei indo para um outro lado que eu não fazia a menor ideia.”

Foi nesse momento que a oportunidade do programa apareceu. “Um amigo meu, no dia que eu saí da empresa, me mandou mensagem falando que as inscrições do MasterChef estavam abertas. Eu tinha visto, porque sempre gostei do programa e falei para ele que queria entrar. E aí pareceu destino para mim. Na época, achei que era um sinal da vida dizendo para eu tentar, porque eu não tinha nada a perder. Eu tentei acreditando que não fosse dar certo e, de repente, as coisas aconteceram super rápido.”

O peso das câmeras

Dentro do estúdio, Sofia admite que se cobrou demais. “Eu estava me cobrando muito. Tudo era muito extremo, então eu fiquei muito frustrada e arrependida, triste. Eu tentava fazer uma coisa que às vezes nem era algo que eu sabia ou que estava confortável de fazer, mas parecia que eu tinha que provar alguma coisa, eu não sentia que eu era tão boa ou boa o suficiente para estar ali no programa”, conta.

Ela continua: “Ao longo dos episódios, acho que fui me tranquilizando um pouco em relação a isso. Não sei se consegui mostrar a minha personalidade ou o que eu gosto de cozinhar. É muito difícil você mostrar quem você é com as provas, que são muito específicas, é muita pressão. Eu tenho muita dificuldade de pensar rápido nas coisas, eu sou bem indecisa.”

A polêmica com Flávia

O episódio em dupla com Flávia, que rendeu acusações de racismo, foi um divisor de águas para a participante. “Esse dia com a Flávia foi muito intenso desde o começo da prova. Porque era o segundo dia, eu não imaginava que a gente teria esse tipo de desvantagem nas provas. Então foi uma rasteira muito grande e foi muito chocante a gente ter já no segundo dia uma prova de trios e eu estar em uma dupla”, afirma.

“Fiquei muito chocada, chateada, e já começou daí que as pessoas falaram que eu estava com uma cara de desgosto, por conta da Flávia. Mas não era por ela, e sim pelo fato de que nós estávamos em duas. Além disso, nem eu, nem ela tínhamos feito uma prova muito boa no primeiro dia”, acrescenta.

Ela recorda que a edição não mostrou momentos importantes: “Eu comecei a chorar muito [no fim da prova]. A Flávia veio e, para me reconfortar, foi me abraçar e quanto mais ela me abraçava, mais eu chorava porque é uma característica minha. Eu tenho muita dificuldade de receber acolhimento quando estou em um momento desestabilizado.”

“Chegou um momento que ela estava muito nervosa, porque eu não parava de chorar, e falou:’Sofia, para de chorar, que você tá me deixando ansiosa’. Só que eu não consegui parar, então no momento fiquei um pouco estressada e me afastei. Foi essa parte que eles mostraram como se eu não quisesse abraçar a Flávia. Na verdade não foi isso, a gente já tinha se abraçado várias vezes, mas não estava adiantando”, explica.

Segundo Sofia, o momento transmitido trouxe acusações graves contra ela. “Eu entendo que na visão do público foi muito mal visto, como se eu não quisesse abraçar ela, e foi levado para uma questão racial, algo pior ainda. Foi muito chocante para mim, eu nunca imaginava que fosse que iria para esse lado”, lamenta. “Essa é uma pauta que eu me preocupo e me envolvo muito, e foi triste para mim acharem que realmente eu teria qualquer preconceito com a Flávia pela cor de pele dela”, completa.

Bastidores, rivalidades e ataques

A relação conflituosa com Daniela também marcou a trajetória: “A gente tem uma relação de bastidor com os participantes. Então, ela ter tirado o tempo de prova da gente só afirmou uma questão que já existia dela com a gente [o grupo], já estavam rolando algumas coisas nos bastidores que ela estava falando sobre nós”, aponta.

“O fato dela escolher só as mulheres para ter uma desvantagem, foi uma afirmação disso. Neste momento que se criou essas questões com a Daniela. Mas é importante dizer que não é sobre o jogo ou sobre a Daniela como cozinheira e participante. É sobre a Daniela como pessoa”, destaca. “Eu tive dificuldade de separar esses dois, de deixar nos bastidores quem ela era como pessoa e as questões que eu tinha a partir dos discursos que ela fazia no off, e quem ela era na cozinha, só uma participante, e ignorar isso. Foi muito difícil para mim. Então, eu juntei os dois e levei o pessoal para o programa”, diz, reconhecendo o erro.

Repercussão

Se dentro do estúdio as tensões já eram altas, fora dele a repercussão se tornou insuportável. “Eu faço muita terapia e tem me ajudado bastante. Eu levo muito essas questões [ataques virtuais] para a terapia. Eu tentei enfrentar, tentei ignorar e seguir com a minha vida, mas as pessoas começaram a levar para um lado muito íntimo, e eu achei muito desrespeitoso e sem sentido. Pegaram fotos da minha mãe e fizeram vídeos falando sobre a nossa minha relação, coisas que não tinham nada a ver”, lamenta.

“Recebi muitas ameaças de morte e mensagens horrorosas, ameaças de crime. Então, eu resolvi sair um pouco das redes sociais. Nesse momento, eu não estou usando nenhuma das minhas redes, apaguei todos os aplicativos do meu telefone e estou fazendo um detox digital. Pelo menos até o programa terminar e as pessoas me esquecerem, seguirem com a vida delas, é muito violento. Eu não concordo com muitas atitudes do que fiz no programa, mas eu não acho que nada do que eu tenha feito justifica esse tipo de ataque violento nas redes sociais no nível que está indo. Então, eu estou nesse momento tentando me proteger emocionalmente e me afastar.”

Segundo a participante, falta apoio do programa: "Eles oferecem um suporte psicológico para a gente, mas como eu já tenho a minha própria psicóloga, resolvi não fazer. Mas acho que falta um apoio jurídico, de mídia e assessoria, gerenciamento de crise. Eu não sei se tem intenção assim, porque eles se beneficiam dessas crises e da narrativa que é contada. Não me senti com suporte ou acolhida da forma que eu imaginava que seria."

Depois do reality

Sobre os próximos passos, Sofia responde: “Eu estou tendo que recalcular minha rota de novo. Não tenho a intenção de, pelo menos no momento, trabalhar com as redes sociais, por conta de tudo que aconteceu e vou dar um tempo mesmo. Eu vou continuar estudando gastronomia e levando para minha vida. Talvez plantar essa sementinha de novo, dessa possibilidade de trabalhar com isso. Mas no momento eu estou voltando para o mundo corporativo e vou trabalhar com o marketing, que eu adoro. Estou vendo as minhas possibilidades, mas pelo menos por um tempo vou focar nisso que eu já faço e já sei fazer.”

Com a final entre Daniela e Felipe B., ela revela para quem vai a sua torcida: “Felipe, com certeza.”

A reportagem solicitou um posicionamento do Masterchef sobre a falta de apoio jurídico, mas não obteve retorno.




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